FUTEBOL – Contrato da Seleção pode ser Lava Jato do futebol brasileiro

Esporte - Futebol - O presidente da CBF Ricardo Teixeira durante coletiva sobre o  sorteio para a Copa do Mundo 2014, na Marina da Gloria, Rio de Janeiro, RJ 29.07.2011 Foto:Sergio Barzaghi/Gazeta Press7

Esporte – Futebol – O presidente da CBF Ricardo Teixeira durante coletiva sobre o sorteio para a Copa do Mundo 2014, na Marina da Gloria, Rio de Janeiro, RJ 29.07.2011 Foto:Sergio Barzaghi/Gazeta Press7

A operação da Polícia Federal que desbancou políticos e empresários que roubavam a Petrobras há mais de uma década surgiu depois de uma mísera visita de agentes a um posto de gasolina em Brasília. A princípio ninguém imaginaria que desbancar um doleiro serviria para abalar o poder em todo o país. A revelação do contrato da CBF para vender amistosos da Seleção pode ter o mesmo destino: ser o primeiro passo de uma enxurrada de denúncias.

Para quem não leu o noticiário no fim de semana: o jornal O Estado de S.Paulo revelou termos do contrato renovado em 2011 entre a CBF e a ISE, empresa fixada em paraíso fiscal. Documentos divulgados pelo jornal indicam que as partidas da Seleção foram leiloadas em troca de milhões de dólares em comissões a agentes, cartolas e intermediários. A CBF repudiou as acusações do diário paulistano. Conforme o previsto.

As revelações colocam inúmeras suspeitas sobre a cúpula do futebol brasileiro. A principal delas é de permitir à ISE que escale os jogadores da Seleção. A segunda é afetar o desenvolvimento da equipe com a impossibilidade de chamar jogadores de valor de marketing abaixo dos do chamado “Time A”. A terceira é saber se o ex-presidente Ricardo Teixeira, que renovou o contrato com os novos termos, ainda manda muito.

E por aí vai.

Por muito menos já houve uma CPI: parlamentares acreditaram que o contrato celebrado com a Nike deixava a Seleção exposta a preferências do patrocinador. Convocaram Zagallo e Ronaldo para explicarem o que houve na derrota da final da Copa de 1998. (Um então deputado, o falecido governador Eduardo Campos, ganhou fama ao perguntar “quem era responsável por marcar o senhor Zidane?”) Agora o prato é muito mais cheio que antes.

A CBF, que dias antes negou ao jornal qualquer relação com a ISE, acabou admitindo a ligação ao mesmo tempo em que defendeu que o contrato era normal. Bobagem. Nada relacionado a esses senhores merece ser tratado como normal. Se der tudo certo, as revelações deste fim de semana serão as primeiras de uma onda que ajudará a explicar o 7 x 1, as convocações surpreendentes de alguns atletas, a falta de talentos atual.

É claro que um evento isoladamente não explica tudo. Mas a mentalidade por trás do contrato CBF-ISE é reveladora de como nossos dirigentes vêem o futebol brasileiro. Se está ruim para você torcedor, para eles está ótimo. Assim como estava para empreiteiros, políticos e dirigentes da Petrobras alguns meses atrás. Chegou o momento de ligar a mangueira para lavar o futebol brasileiro (perdão, Sabesp). A melhor hora parece ser agora.

YAHOO.

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